"[...]mas faz-nos esboçar uma realidade supra-sensível compatível com o uso experimental da nossa razão. Sem uma tal precaução, não saberíamos fazer o mínimo uso de semelhante conceito e deliraríamos ao invés de pensarmos.[...]"

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Out 08

Obrigado a actualizar o curriculum vitae nestes dois últimos dias, fui reler alguns dos que Walter Benjamin escreveu, entre 1925, o primeiro, e 1939/40, o último, e, agora como na primeira leitura, atrai-me a extrema lucidez e simplicidade com que traça o seu próprio percurso, com que assume dívidas concretas (a professores, a livros específicos), mas, mais essencialmente, e com a leveza de quem escreve um postal, como se entrelaçam os livros que se leram, as pessoas que se escutaram, o que se pensou e se escreveu, as cidades que se amaram. Ao contrário do modelo técnico-funcional usado nos nossos dias, em registo laudatório do nosso passado recente, o modelo especular de Benjamin propicia o momento sempre angustiante do espelho, potencia a crítica inactual de nós mesmos. Talvez por isso não se conhece nenhum tipo de uso que Benjamin lhes tenha dado.

escrito por José Carlos Cardoso às 23:53

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