"[...]mas faz-nos esboçar uma realidade supra-sensível compatível com o uso experimental da nossa razão. Sem uma tal precaução, não saberíamos fazer o mínimo uso de semelhante conceito e deliraríamos ao invés de pensarmos.[...]"

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Jul 08

Depois do meu atraso crónico no primeiro dia do festival (sábado, 05), o dia seguinte pautou-se essencialmente por duas agradáveis surpresas que consistiram na amostra da cinematografia de Lisandro Alonso (n. 1975, Buenos Aires) e na primeira longa-metragem de Liew Seng Tat (n.1979, Malásia), outro nome a reter no panorama criativo do novo cinema asiático. 

Ontem, e depois da primeira sessão da competição internacional, assistiu-se ao primeiro grande momento do festival, com a ante-estreia em Portugal do filme de Miguel Gomes (n. 1972, Lisboa) Aquele querido mês de Agosto (Quinzena dos Realizadores, Cannes'08), visão inspirada do país profundo, filmada no limite do registo documental e da ficção, que, dissolvendo as duas fronteiras, se revela, nos melhores momentos, uma tragicomédia de contornos absolutamente singulares. Ficamos, pois, à espera do percurso comercial que um objecto desta natureza pode fazer no nosso país. A noite acabou, seguindo a recomendação do próprio realizador, e dando seguimento ao espírito do filme, num confronto de karaoke com programadores do festival, casting do filme, realizadores convidados, júris e participantes cinéfilos. Mais uma querida noite de verão na província, portanto. 

Esta tarde já teve mais dois focos do meu interesse, isto é, mais dois filmes de mais dois novíssimos realizadores asiáticos (não é coincidência): a segunda longa de Lee Kang-Cheng (n. 1968, Taipé), actor-fetiche e discípulo de Tsai Ming-Liang, de que espero poder escrever em debate com a obra do mestre, nomeadamente com a instalação que este traz ao festival, Erotic Space; e o arranque da primeira retrospectiva integral na Europa da obra de Yu Lik-Wai (n. 1966, Hong Kong), com All Tomorow's Parties, que revela já toda a potência imagética do cineasta, mas de que só falarei no fim do ciclo.

Agora tenho mesmo que ir, porque a festa continua.  

escrito por José Carlos Cardoso às 20:55
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