"[...]mas faz-nos esboçar uma realidade supra-sensível compatível com o uso experimental da nossa razão. Sem uma tal precaução, não saberíamos fazer o mínimo uso de semelhante conceito e deliraríamos ao invés de pensarmos.[...]"

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Nov 08

Não sei se a clique local anti-Obama tenta proteger a esquerda das suas ilusões ou se, por outro lado, tenta salvar o mundo das convicções alimentadas pela ilusão. No primeiro caso, mais comum, temos um comovente paternalismo. No segundo, o medo de que a ilusão intervenha na realidade antes que ela tenha tempo de devolver a conta da fantasia. Esse medo seria razoável enquanto clássico receio da megalomania revolucionária, mas, como amavelmente nos avisam, esse perigo não existe (já o sabemos, Obama está longe de ser de esquerda, será um realista, nacionalista, pró-Israel, defensor do Império). Na verdade, é o mero valor político da esperança que os repugna -- a que se junta alguma clubite (não confessa) na véspera de uma possível derrota.

 

Obama e a direita europeia, por Bruno Sena Martins. Quanto à esquerda europeia (que não tem que ver com nada do que existe no sistema partidário americano hoje), com a dose utópica que lhe é constitutiva, só quer um interlocutor que, não se restringindo ao inglês standartizado da macroeconomia e dos foreign affairs, e mesmo não precisando de citar Shakespeare, possa ecoar Walt Whitman. Talvez a Europa se recorde, se Obama se tornar nesse interlocutor, de Kant, Goethe, Baudelaire, Pessoa e Mandelstam.

escrito por José Carlos Cardoso às 23:52
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