"[...]mas faz-nos esboçar uma realidade supra-sensível compatível com o uso experimental da nossa razão. Sem uma tal precaução, não saberíamos fazer o mínimo uso de semelhante conceito e deliraríamos ao invés de pensarmos.[...]"

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Out 08

1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?
 
Os Passos em Volta de Herberto Helder, na colecção Novos Contistas da Portugália Editora, edição de 1963, com a capa de João da Câmara Leme e uma dedicatória que o Rui Diniz me fez: «De uma época de PASMO tecem-se as RENDAS DELIRANTES». Nestes contos está tudo, mesmo aquilo que na época não se podia dizer – o comunismo, a prostituição, a dor, uma angústia solitária, o exílio, e um tempo em que pouco mais havia a fazer do que ficar «a tremer e soluçar, debaixo da esplêndida luz do mês de novembro». Aprendi muito da minha escrita ao lê-lo; e tenho dentro dele uma folha de árvore seca com muitas décadas, apanhada talvez no jardim do Campo Grande por onde passava a caminho da Cidade Universitária levando-o comigo, uma folha de papel pautado com um endereço lisboeta manuscrito pelo Herberto Helder que ele me terá dado por qualquer razão, e um título inventado durante alguma aula mais aborrecida: «Como eu fugi da Sibéria (L’OEIL DE LA MOSCOWIE) narrativa verídica dos horrores por que um sacerdote austro-búlgaro passou, antes de ser capturado e barbaramente agredido».

 

 

Resposta de Nuno Júdice, à primeira pergunta do inquérito d'Os Livros Ardem Mal. Num dia em que comecei por ler estas declarações, ajudou-me consideravelmente. Animicamente falando. 

 

escrito por José Carlos Cardoso às 20:49

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